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sábado, 9 de março de 2013

Hipocrisia, hipocrisia...

Ontem havia uma reportagem no site da Globo, sobre chaveiros que são confeccionados pelos chineses com animais vivos (tartarugas, peixes...). Quando entrei nos comentários, o povo todo ali dizendo "Pobre animais, deixem-os em paz", "Como podem fazer isto com os pobres bichos?", "Chineses malditos, não basta comerem cachorros..." e por ai vai.

Fiz a besteira de enviar um comentário (por que, meu Deus... Eu havia jurado não fazer mais isso...), dizendo pacificamente que a história era realmente chocante e absurda, mas que não podemos esquecer também dos outros animais que servem para "diversão" (rodeios, circos), alimentação (vacas, porcos, frangos, peixes, perus) e etc ,que estão inseridos em nossa cultura e que também deveriam ser dignos de respeito, tendo direito a vida.

Obviamente que fui taxada de adoradora de Hitler (a velha história de que Hitler era vegetariano - e que já caiu por terra há tempos), chinesa cruel, ignorante e sem noção. Tive que ler, em poucos segundos, a mesma enxurrada de babaquices batidas de carnistas ignorantes como "Hitler era vegetariano", "Temos caninos", "É diferente, porque as vacas foram feitas para servirem de alimento", "Está escrito na bíblia" " Plantas também tem sentimentos" e mais dezenas de bobagens que me dão diarreia cerebral só de lembrar.

Seria extremamente útil se os carnistas de plantão, em primeiro lugar, fossem um pouco menos hipócritas - ficar com pena de peixe e tartaruga enquanto come camarão ou frango frito é o cúmulo do absurdo.

Em segundo lugar, pesquisem. Pesquisem, se não quiserem continuar sendo taxados de ignorantes com argumentos vencidos da época da minha bisavó. Esse papo de vegetariano /vegano doente, anêmico e não sei o que mais, não convence nem mais o ignorante dos seres.

Eu não me importo do pessoal comer carne - lógico que o mundo seria melhor se fosse vegano, mas enfim (:D) - ; comam toda a carne que quiserem, mas não venham encher o meu saco. E principalmente, deixem de ser hipócritas! Animal é animal! Tartaruga ou vaca, peixe ou inseto, frango ou cachorro. Se você aceita que animais sentem dor, você precisa aceitar que a vaca e o frango de seu prato foram massacrados, privados de uma longa vida e abatidos única e exclusivamente para satisfazer o seu paladar sanguinário e egoísta.

domingo, 19 de agosto de 2012

Lágrimas no oceano

Tristeza. Foi o que senti na tarde de ontem quando me deparei com as cenas abaixo na praia de Balneário Piçarras, Santa Catarina.









Não consegui fazer mais e melhores registros porque a câmera de meu celular não tem boa resolução e já estava anoitecendo. No entanto, contei em um pequeno espaço de menos de 200 metros, um boto, quatro tartarugas, seis pinguins e vários pequenos peixes. Todos mortos.

Obviamente não posso precisar a causa da morte destes animais; porém aparições de peixes e tartarugas mortas não são incomuns onde moro. O que vejo é uma praia suja e pessoas que não colaboram com esta situação. Aliás, parecem contratadas para sujar e destruir ainda mais os oceanos. Plásticos diversos, embalagens de sorvetes, picolés, latas de refrigerantes e cerveja, garrafas pet, dentre tantas outras imundícies, estão matando e prejudicando a vida marinha de forma cada vez mais agressiva. Sem falar nas redes de pesca, algo comum por aqui e com certeza, responsável por milhares de mortes absurdas e cruéis.

O que fazer é uma incógnita. Vejo centenas de ações de conscientização muito bem realizadas, mas que parecem ser ridicularizadas pela maioria das pessoas. Não creio em apocalipses bíblicos, tampouco nas previsões maias. Acho que o inferno é aqui, e tenho me convencido disto cada vez mais quando observo tanta maldade, descaso e falta de respeito pelas espécies diversas que dividem este mundo conosco. No entanto, um Armagedom tem parecido cada vez mais uma boa ideia para acabar com a espécie que tem sido responsável pela morte lenta e dolorosa de nosso planeta.

sábado, 14 de julho de 2012

Abandono de valores


Eu e meu marido realizamos um sonho ao casar e mudar para o litoral de Santa Catarina. Praia, sol, mar, amor, pessoas simples, contato com a natureza; esse é o sonho de oito em cada dez pessoas que conheço. Compramos uma casa em um pequeno condomínio há dois anos e tudo parecia perfeito: bairro tranquilo, vizinhos sorridentes e sossegados.  Já tínhamos uma gata, que havíamos adotado em 2009 e acabamos nos mudamos antes do previsto, no início do ano passado, por adotarmos um novo membro da família que não seria aceito no apartamento onde morávamos  - um vira lata de pequeno porte, abandonado  em frente à nossa antiga moradia, o qual chamamos de Hachi.

Pois bem. Mudamos: eu, meu marido, a gata e o cão. No primeiro dia, uma das vizinhas veio me contar que abandonou sua gata antes da mudança. “Não queria incomodar os vizinhos”, disse ela. Respirei fundo e tentei não prestar atenção no sorriso triste do marido desta senhora, que em outros momentos confessou a falta que sentia da gata que sua mulher o “obrigou a deixar na casa antiga”.

Nestes dois anos, a gata da vizinha não voltou, mas outros quatro cachorrinhos (além de outros dois que já arrumamos lares) passaram a fazer parte de nossa família. Não os buscamos; eles nos encontraram. Todos chegaram até nós em condições de risco (doentes, mal tratados, atropelados ou vítimas de violência). E então os vizinhos, com exceção do “senhor da gata”, já não tinham mais aquela simpatia, nem os mesmos sorrisos estampados no rosto.

Agora, você deve estar pensando: “Essa maluca acha que os vizinhos têm que aturar latidos de cinco cães?”. Não, amigos. Todos eles permanecem dentro de casa. E quando digo dentro de casa, não é dentro de meu terreno, minha área privativa. É dentro de casa mesmo.  Nas poucas vezes que permanecem fora de casa, afinal eles não são presidiários, basta um latido, uma brincadeira entre os cães para despertar a fúria de meus vizinhos. Xingamentos (para os cães, já que os sorrisos falsos permanecem para a minha pessoa), tentativa de envenenamento, entre outros. Lógico que os cães das outras vizinhas não atrapalham; são cães de raça e os meus são meros vira latas, sem direito a latidos. Tudo bem.

Resumindo, eu e meu marido decidimos colocar nossa casa à venda e buscar um lugar mais afastado da cidade; quem sabe um sítio... algo que nos deixe mais distanciados de outros vizinhos mal humorados. Hoje pela manhã, em uma de nossas buscas pelo lugar ideal, meu marido parou o carro – vimos um saco plástico escuro e, adivinha o que havia lá dentro? Sim, um cão. Um pequeno filhote muito fofo, todo branquinho, gordinho e com uma manchinha ao redor de um dos olhos. O que é que íamos fazer? Deixá-lo ali? Nem pensar. Havia uma casa logo à frente... Quem sabe? Por sorte, encontramos uma senhora de coração bondoso, que o pegou no colo e já estava pensando, ao lado de seus filhos gêmeos e outros cinco cães, em um nome para aquele ser de luz que foi abandonado. Estou muito feliz por ter presenciado a reação daquela senhora. Que sorte nós e aquele cachorrinho demos!

No entanto, assim que saímos de lá, passei a refletir sobre o outro lado – o lado obscuro – daquela situação. Quem é que vai até o interior de uma cidade e abandona um filhote dentro de um saco plástico? Que tipo de “ser humano” tem a capacidade de ser tão irracional? E aí, me peguei levantando outras questões: o ponto crucial hoje, em nossa sociedade, não é somente o abandono de cães, filhotes ou não, ou o abandono e maus tratos de outros seres humanos ou animais. A questão é o abandono de valores que se reproduz incontrolavelmente em nossa sociedade. Tudo em nossa sociedade se tornou descartável: desde utensílios domésticos até o casamento, amigos, eletrodomésticos e, claro, os animais. Se estiverem nos servindo, ok. Caso contrário, a ordem é livrar-se. Não importa como, quando ou onde. É essa a nossa cultura atual.

Basta reclamar? Não. A ordem é agir. Reconsidere suas prioridades, passe a refletir sobre aquilo que é realmente importante em sua vida. Você perceberá que o que deve ser descartado são seus preconceitos, seu egoísmo e suas ideias pré-concebidas. Recicle sua mente e passe esta ideia adiante! 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ao Rei Leão


A letra da canção "Ao Rei Leão", postada logo abaixo, é mais um belo trabalho de nosso leitor Gugu Keller, que também é autor de vários livros e diversos outros belíssimos trabalhos postados em seu blog (clique aqui para acessá-lo). 

Gugu, mais uma vez obrigada por autorizar a postagem desta letra que certamente tocará o coração de nossos leitores, assim como tocou o meu.


‎AO REI LEÃO
GUGU KELLER


Pelos cavalos suados, ao sol no arado, com fome, magros
Pelas feridas e chagas em seus cascos
Pelas carroças de carga, a longa estrada, chicote e fardo
Pelo ferro em brasa que marca o gado
Pelos cães que reviram o lixo enquanto tremem de frio
Seus corpos fracos e parcos, um resto de faro no vazio

Perdão, rei leão
Perdão, rei leão

Pelas jaulas do circo, o fogo no círculo, picadeiro
Pelos shows de tortura nos rodeios
Pelas capas e espadas dos grandes e bravos heróis toureiros
Pelas festas de peão de boiadeiro
Pelas reses que, rumo ao abate, embarcam no trem
Como Jesus a caminho da cruz, cupim, alcatra e acém

Perdão, rei leão
Majestade, perdão

O homem é o grande mal
É vil, cruel, bestial
Barbariza, humilha, extermina por recreio
Ou, pior ainda, por dinheiro

Pelos casacos de pele, acessórios de couro, cintos, bolsas
Pelas miras a laser, alvo e mosca
Pelo tiro ao pombo, esporte de morte, caça à raposa
Armadilhas covardes, redes soltas
Pelos pássaros presos a cantar indefesos, solidão
Gorjeios de prisioneiros, golpes certeiros no meu coração

Perdão, rei leão
Majestade, perdão