terça-feira, 18 de setembro de 2012

"Não é mais possível dizer que não sabíamos", diz Philip Low


Em entrevista, neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade

O neurocientista canadense Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois de apresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado (7) em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.
Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito?Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. "As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência", diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos. 

É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos? 
Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante. 

Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência?
Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica. 

Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais?
Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora. 

Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? 
É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados. 

As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? 
Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo. 

O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? 
Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Escassez de água vai obrigar a dieta vegetariana

Para conseguir alimentar mais dois mil milhões de pessoas no planeta em 2050 com a água que existe, a dieta alimentar ocidental vai ter de mudar radicalmente, prevê o relatório de cientistas do Instituto Internacional da Água de Estocolmo, divulgado na abertura da Conferência da Semana Mundial da Água.



Citado pelo jornal inglês Guardian, este relatório liderado pela cientista Malin Falkenmark, conclui que "não vai haver água nas plantações que seja suficiente para a população esperada de nove bilhões de pesoas em 2050, se continuarmos a seguir as atuais tendências e mudanças na alimentação que são comuns aos países ocidentais".
O relatório prevê que nessa altura "só haverá água suficiente se a proporção de produtos alimentares de origem animal for limitada a 5% do total das calorias e se os consideráveis déficits de água regionais tiverem resposta ao nível de um sistema de comércio alimentar de confiança". Hoje em dia, cerca de 20% das proteínas na alimentação humana são de origem animal, o que obrigaria a uma alteração substancial do regime alimentar nos próximos 40 anos.
"Com 70% do total de água disponível a ser canalizado para a agricultura, produzir mais comida para alimentar mais dois bilhões de pessoas em 2050 vai aumentar a pressão na água e terra disponíveis", acrescenta o relatório, que recorda que "900 milhões de pessoas já sofrem com a fome e dois bilhões estão mal nutridas, isto apesar da produção alimentar per capita continuar aumentando".
"As Nações Unidas prevêem que temos de aumentar a produção alimentar em 70% em meados do século. Isto vai pressionar ainda mais nos nossos recursos de água que hoje já estão sob pressão, numa altura em que temos de canalizar mais água para satisfazer a procura crescente de energia – cujo crescimento esperado nos próximos 30 anos é de 60% – e gerar eletricidade para os 1300 milhões de pessoas que não a têm hoje", explica este relatório citado pelo Guardian.
O estudo é revelado numa altura em que as Nações Unidas discutem a preparação para a segunda crise alimentar no espaço de cinco anos. As secas registadas nos Estados Unidos e na Rússia, aliada às fracas monções asiáticas e à especulação financeira sobre matérias-primas alimentares, estão disparando os preços do trigo e do milho e os países mais afetados serão os que mais dependem da importação dessas matérias-primas. Em 2008, uma situação semelhante fez regressar a fome a várias regiões do planeta, tendo ocorrido motins em dezenas de países.
Apesar do que foi revelado neste estudo, gostaria que isto ocorresse por plena consciência do ser humano e não por uma obrigação de sobrevivência...Animais são seres vivos e de direitos. Eles merecem nosso respeito!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Pelo fim das mortes nas Ilhas Faroé

Petição para pedir o fim das mortes desnecessárias de baleias e golfinhos nas Ilhas Faroé. 

Todos os anos, os habitantes das Ilhas Faroé geram um espetáculo absurdo de morte e sangue nos oceanos. Precisamos fazer o possível para acabar com este massacre. Há menos de 10 mil assinaturas nesta petição, sendo que são necessárias pelo menos cem mil para que tal ato chegue ao governo dinamarquês. Assine e passe adiante. Não vai tomar mais que trinta segundos do seu dia!





Se você quiser saber melhor o que acontece por lá, o canal Animal Planet está passando todos os sábados, às 19 horas, o programa que mostra a batalha do Sea Sheperd nas águas das Ilhas Faroé, tentando frear este show de horrores. Vale a pena assistir - neste sábado (25/08) é o segundo episódio. Confira!

domingo, 19 de agosto de 2012

Lágrimas no oceano

Tristeza. Foi o que senti na tarde de ontem quando me deparei com as cenas abaixo na praia de Balneário Piçarras, Santa Catarina.









Não consegui fazer mais e melhores registros porque a câmera de meu celular não tem boa resolução e já estava anoitecendo. No entanto, contei em um pequeno espaço de menos de 200 metros, um boto, quatro tartarugas, seis pinguins e vários pequenos peixes. Todos mortos.

Obviamente não posso precisar a causa da morte destes animais; porém aparições de peixes e tartarugas mortas não são incomuns onde moro. O que vejo é uma praia suja e pessoas que não colaboram com esta situação. Aliás, parecem contratadas para sujar e destruir ainda mais os oceanos. Plásticos diversos, embalagens de sorvetes, picolés, latas de refrigerantes e cerveja, garrafas pet, dentre tantas outras imundícies, estão matando e prejudicando a vida marinha de forma cada vez mais agressiva. Sem falar nas redes de pesca, algo comum por aqui e com certeza, responsável por milhares de mortes absurdas e cruéis.

O que fazer é uma incógnita. Vejo centenas de ações de conscientização muito bem realizadas, mas que parecem ser ridicularizadas pela maioria das pessoas. Não creio em apocalipses bíblicos, tampouco nas previsões maias. Acho que o inferno é aqui, e tenho me convencido disto cada vez mais quando observo tanta maldade, descaso e falta de respeito pelas espécies diversas que dividem este mundo conosco. No entanto, um Armagedom tem parecido cada vez mais uma boa ideia para acabar com a espécie que tem sido responsável pela morte lenta e dolorosa de nosso planeta.

Espetáculo de horror na Grande Florianópolis

114 mil pintos enterrados vivos. Esse é o resultado de mais uma ação humana e absurda que ocorreu nesta semana, mais especificamente nos dias 15 e 16, na Grande Florianópolis. Também foram para a vala milhares de ovos com pintos prestes a nascer. E sabe qual a justificativa dada para esse ato inescrupuloso? "Falta ração", dizem.

Segundo a empresa fornecedora de ração, as razões para o problema são o aumento na exportação do milho e o excesso de chuvas que ocorreram no Paraná e Mato Grosso. Será que isso justifica tal ato? Quando será que o tal ser humano vai perceber que não temos direitos sobre a vida de outros seres? Quando vão perceber que não adianta se auto denominar "racional" se seus atos não condizem nem por um instante com aquilo que praticam?
Lamentável. Triste. Repugnante. 
E se você ainda consome produtos de origem animal, está na hora de repensar suas ações. Indiretamente, você também é responsável por isto.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Carta de um cão acorrentado a seu dono



Li esta carta no blog Pelos Direitos dos Animais e confesso que me contive para não chorar. Quem convive com cães e gatos, ou qualquer outro animal, sabe da necessidade de amor e carinho que eles possuem E tudo isto é de graça! Você pode dar a eles sem contra indicações! Se virem um cão aprisionado, imprimam esta carta e coloquem na caixa do correio dos donos. Em nome dos de todos os animais, obrigada.



Querido "dono",

...Consegui que escrevessem esta carta por mim. Nem sabes a alegria que sinto por poder comunicar contigo. Todos os dias, desde aquele dia longínquo em que me colocaste a corrente no pescoço e me prendeste neste espaço, eu sonho que venha me visitar e fazer festinhas como me fazias quando eu era um bebê. Eu sonho que venhas conversar comigo, não entendo muito bem o que me dizes, mas nem imaginas como adoro ouvir o som da tua voz!

Eu sei que fiz algo de errado, senão certamente não me terias colocado aqui. Desculpa! Não quero ser exigente mas começa a doer ter esta corrente atada ao meu pescoço. Às vezes tenho o pescoço dormente, e outras vezes tenho muito comichão e nem consigo coçar! Sinto o seu peso todos os dias, o peso da solidão que me prende.

Tenho vontade de esticar as pernas e correr...e como eu gostava de poder fazer isso contigo! Adorava que me atirasses umas bolas, aí eu podia mostrar-te como sou rápido a correr e como as trazia rapidamente. Gostava de poder ver o que tu vês, o mundo lá fora é muito grande? E existem outros como eu?

Ás vezes tenho sede e alguma fome mas eu aguento em silêncio porque sei que assim que poder virá dar-me comida e água, sei que fazes o que podes, eu não quero incomodar, mas sabes, por vezes gostava de ter um pouco da tua companhia.

Sei que talvez alguém te tenha dito que eu não tenho sentimentos, mas olha que é mentira! Nem imaginas quanta alegria sinto quando alguém me toca ou se dirige a mim. Nem sabes quanta tristeza e solidão pesa em mim nas longas horas que não vejo ninguém. Nem sabes o medo que por vezes sinto no Inverno aqui sozinho, e tenho tanta vontade de estar perto de ti.

No outro dia passaram aqui umas pessoas estranhas e puseram-se a olhar cá para dentro e a apontar para mim, riam e atiravam umas pedras na minha direção. Queriam vir fazer-te mal. Acertaram-me com uma na pata e ontem não consegui levantar-me , mas eu afuguentei-as logo com o meu ladrar. Eu não quero que ninguém te venha fazer mal…e não quero que te zangues comigo, eu prometo fazer melhor por ti.

Eu sou o teu amigo mais fiel, nunca te irei trair, não guardo rancor, e não tiro nunca o lugar de ninguém, será que tens mais amigos assim no teu mundo? Só queria um pouco mais da tua atenção e amor, uma cama quente no inverno, um local fresco no verão e o teu cheiro a entrar-me nas narinas todos os dias, seguido de um sorriso e uma festa no meu velho lombo.

Eu sei que um dia tu irás chegar aqui e tirar a corrente, e dar-me tudo isto, até lá eu fico quieto á espera. Só não demores muito meu "dono", porque estou a ficar velho e começo a ver e ouvir mal. Faltam-me forças e não quero ir, sem viver um pouco contigo.

Do teu "cão”